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domingo, 31 de janeiro de 2016

Cinco formas de complicar tudo da pior forma possível

  1. Se odeie. Quando se olhar no espelho, faça questão de destacar apenas aquilo que há de pior em você, e engula qualquer elogio que surgir em sua mente. Lembre-se: você não deve ter amor próprio.
  2. Coloque o bem-estar de outros acima do seu próprio. Quando estiver num relacionamento afetivo, busque sempre priorizar o outro. Está tudo ruim porque seu namorado não tem controle sobre as próprias emoções e costuma botar o peso do mundo nos seus ombros? Não termine a relação. Sua namorada tem ciúmes até da sua sombra e a falta de confiança nela em você está começando a prejudicar sua vida fora do namoro? Permaneça com ela. Lembre-se: além de ter que lidar com seus próprios problemas, você sempre deve resolver os dos outros também.
  3. Deixe que as pessoas te usem para alcançar os próprios objetivos. Não seja ambicioso, não siga seus sonhos. Sabe aquele colega que usa suas conexões para subir na vida? Deixe que ele faça isso. Sabe aquela pessoa que finge ser sua amiga porque está interessada em alguém próximo de você? Não se afaste dela. Lembre-se: colocar sua vida em primeiro lugar é o pior erro que você pode cometer.
  4. Quando sentir a necessidade de fazer algo que parece um tanto trabalhoso, deixe a preguiça falar mais alto. Esse ponto é importantíssimo! Seu desejo profundo de visitar os parentes que moram do outro lado do país deve ser superado pela falta de vontade de organizar a viagem. Quando te der vontade de ir para uma das festas que seus amigos te falam tanto, foque na sua preguiça de se arrumar de forma adequada. Lembre-se: qualquer coisa que te dê o mínimo de trabalho, mesmo que você saiba que te fará bem, deve ser evitada.
  5. Querer ser feliz em meio a uma situação ruim é egoísmo. Quando estiver acontecendo algo de ruim na sua vida, você deve permanecer triste até que ela acabe. Se a situação ruim não tiver fim, como a morte de um parente, você não deve ficar feliz. Não pense no seu bem-estar emocional, não tente ver o lado bom da situação, não queira seguir em frente com a sua vida. Lembre-se: se existe alguém sofrendo ao seu redor, você deve sofrer junto. Mesmo que saiba que a pessoa jamais faria o mesmo por você.
 Siga essas dicas à risca, e você nunca mais terá uma vida descomplicada!

Esse post surgiu do item 88 da lista de "642 coisas sobre as quais escrever". Adaptado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Oito anos

Querida eu aos oito anos de idade,

Agora, com o dobro de sua idade, eu vejo as coisas de maneira completamente diferente.

Em primeiro lugar, o teatro não é a sua vida, e você não vai continuar nele até se formar no colégio. Na verdade, ao longo dos próximos anos, você pensará diversas vezes em desistir. Vai ter desentendimentos com o professor (o último deles te levará a sair), com atrizes que continuarão até depois de você resolver parar e com colegas que verão que teatro também não é a vida delas. Quando perceber isso, tente não se sentir mal por estar jogando tantos anos fora. Depois de algum tempo, não fará mais tanta diferença.

Pessoas vêm e vão na sua vida. Algumas parecem que chegam e durarão a vida inteira, mas não passam de meras figurantes. Outras, você nem pensa a respeito, mas em breve se tornarão mais importantes do que você imagina. Sua melhor amiga vai embora em poucos meses, mas vocês continuarão se falando (mesmo que circunstâncias as afastem durante anos), mesmo que a frequência diminua com o passar do tempo. O seu crush atual vai virar seu amigo, e depois desaparecer (de maneira figurada). Ah, essa palavra, crush, você vai aprender num futuro um pouco distante. Acho que me precipitei ao colocá-la aqui.

Por falar em paixonites, a primeira que você teve não te levou a lugar nenhum. Ainda não aconteceu, só veio aos 9 anos, mas também não vai durar tanto tempo assim. Depois de um tempo vocês vão se afastar e se tornarão completos estranhos, mas você não vai ligar para isso. De uma maneira que apenas nós entendemos, essa distância te fará bem. Pouco a pouco, você vai parar de ligar.

Você está prestes a atravessar anos duríssimos. Queria te dizer para ser forte, mas acho que isso é demais para uma criança tão pequena. Problemas surgirão, e você vai ter que lidar com ele. Para não dizer nada errado, te digo apenas para ser você.

Por fim, quero avisar de antemão que o Ensino Médio não é tudo aquilo que você sempre sonhou. Na verdade, a adolescência num geral não chegou nem perto de atingir as suas expectativas. Mas você vai aprender muitas coisas importantes e conhecer muitas pessoas valiosas, o que até te ajudará a passar por esses péssimos anos. Viva cada coisa no seu tempo.

Às vezes, queria voltar para essa época. Mas acho que não dá mais tempo.

Com carinho,

Você.
Esse post surgiu do item 96 da lista "642 coisas sobre as quais escrever".

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Quando sua criatividade não funciona

Todo escritor sente a necessidade de escrever. 

Às vezes, a vontade chega de um modo completamente inesperado. Quando eu estou escutando uma música, por exemplo, e uma das palavras dela pisca na minha cabeça em luzes neon e única coisa que eu consigo pensar é "isso daria uma bela história". Também tem aqueles momentos em que algo super importante está acontecendo e eu só consigo pensar em como transformar a situação num texto para o blog. Ou, ainda, quando bate uma inspiração do nada e eu começo a digitar palavras aleatórias no teclado (mesmo que elas não façam sentido nenhum, o que ocorre frequentemente).

Seja de um jeito ou de outro, todo escritor sente a necessidade de escrever. O único problema é apenas vontade não nos leva a lugar algum.

Para escrever, a primeira coisa necessária é, sim, a inspiração. Depois, a vontade. E então, tempo e paciência de sobra (mantenha sempre potinhos com esses dois por perto, você vai precisar). Quando um desses itens não existe, a gente empaca.

Todo escritor já sentiu a necessidade de escrever, mas estava passando pelo que nós chamamos de "bloqueio criativo".

Diferente do que muitos leitores pensam, bloqueio criativo não é "desculpinha" nossa para atrasar as postagens. É algo muitíssimo real e que a ciência deveria estudar, porque pesquisas (minhas, que eu acabei de realizar com a minha imaginação) comprovam que a cada dez autores, onze sofrem de bloqueios criativos severos e se sentem um, perdoem-me pela expressão, lixo por isso.

Esse tal bloqueio é igual aos nossos parentes sem-noção. Ele não manda mensagem de texto avisando que está a caminho, não pergunta se você pode hospedá-lo e já chega com sete malas cheias de roupas para mostrar que não pretende ir embora tão cedo.

Num momento, tudo está ótimo. As palavras vão se formando na sua cabeça tão naturalmente que parece que sempre estiveram ali, e você, agilmente, coloca-as no papel ou teclado com a graça de uma borboleta. De repente, sua mão para de se mover. Sua mente não produz mais pensamentos, e você mal consegue focar no último parágrafo para conseguir retomar a escrita. Você permanece assim durante alguns segundos, até conseguir lembrar de informações básicas - qual seu nome, que dia é hoje e o que diabos você estava fazendo com esse documento do word aberto. Quando isso acontece, bate o desespero. Seu cérebro não está funcionando normalmente, porque não dá para escrever.

Simplesmente não dá.

E você lê e relê seu texto uma, duas, quarenta mil, setecentas e noventa e cinco vezes. Depois disso, dá uma pausa e vai beber água. Volta, lê suas últimas palavras novamente e percebe que não vai conseguir continuar. O desespero aumenta, misturando-se com ondas de tristeza, agonia e ansiedade. Após um longo suspiro, você desliga o computador, se joga no sofá e olha para o teto sem realmente ver nada, pois sua cabeça está nas nuvens. É um bloqueio criativo. E só Deus sabe quanto tempo ele vai durar.

Esse texto surgiu do item 27 da lista de "642 coisas sobre as quais escrever".

P.S.: Mudei o layout. O banner foi feito pela Rebeca, mas deve ser óbvio que não é meu porque ficou perfeito. Admitam.